Investigação da Polícia Federal apura suspeitas de irregularidades em emendas para municípios mineiros; ex-deputado nega ilegalidades.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, do Republicanos-MG, teria direcionado emendas parlamentares para municípios de Minas Gerais onde vem instalando emissoras de rádio, segundo investigação da Polícia Federal divulgada pelo jornal O Globo e reproduzida pelo InfoMoney. A apuração envolve recursos que somam R$ 6,1 milhões.

De acordo com a reportagem, Cunha não exerce mandato parlamentar desde 2016, mas teria atuado na indicação de recursos para municípios mineiros. Parte dos prefeitos que recebeu as verbas teria atribuído publicamente as indicações ao ex-deputado.

A Polícia Federal aponta que Cunha seria o “verdadeiro solicitante” da indicação de emendas para a área da saúde em 21 municípios de Minas. Segundo os investigadores, os registros oficiais teriam usado nomes de parlamentares em exercício para ocultar quem teria interesse na destinação dos recursos.

A reportagem cita casos como Varjão de Minas, Piau, Guarani e Raul Soares. Em Guarani, Cunha comprou a antiga Rádio Tropical FM 92,7, depois rebatizada como Rádio Maravilha. No mesmo contexto, o município recebeu emenda de R$ 250 mil, conforme planilha encontrada pela PF. Em Raul Soares, para onde teria sido destinada emenda de R$ 472,9 mil, Cunha também adquiriu uma emissora no mesmo ano.

Ainda segundo a reportagem, a estratégia de compra de rádios em cidades menores faria parte de um plano de expansão da presença de Cunha em Minas Gerais, estado pelo qual pretende disputar uma vaga de deputado federal. As emissoras seriam usadas para ampliar a visibilidade do ex-deputado em diferentes regiões mineiras.

Eduardo Cunha nega irregularidades. Em entrevista à Rádio Maravilha, da qual é dono em Belo Horizonte, ele afirmou que apenas sugeriu ao Republicanos a destinação de emendas para cidades mineiras e que a decisão final caberia ao líder da bancada na Câmara. Cunha também disse ser alvo de perseguição política.

Na decisão que determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens do ex-deputado, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, entendeu que Cunha exercia influência sobre a destinação das verbas mesmo sem mandato. O caso segue sob investigação, e não há condenação até o momento.

O ex-deputado tem direito ao contraditório e à ampla defesa. As suspeitas ainda serão analisadas pelas autoridades competentes no andamento do processo.

Fonte:
O Globo; InfoMoney; O Fator; Polícia Federal; Supremo Tribunal Federal.

Deixe uma resposta