William Parreiras fez acusações públicas contra o deputado estadual eleito pelo Avante; relatos semelhantes também circulam em Curvelo, mas não há confirmação oficial das alegações locais até o momento.
O ex-prefeito de Ibirité e candidato a deputado estadual nas eleições de 2026, William Parreiras (PRD), fez acusações públicas contra João do Social (Avante), eleito deputado estadual em Minas Gerais. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Parreiras afirma que o adversário teria oferecido dinheiro para obter apoio político durante a campanha. As acusações foram repercutidas pela Rádio Itatiaia nesta quarta-feira (7). Rádio Itatiaia
Até o momento, porém, as afirmações de Parreiras não foram comprovadas por decisão da Justiça Eleitoral. Segundo a Itatiaia, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que, até a publicação da reportagem, não havia recebido denúncia formal sobre suposta compra de votos envolvendo o caso relatado pelo ex-prefeito. Rádio Itatiaia
A emissora também informou que procurou João do Social e outras pessoas citadas nas acusações, mas não havia obtido resposta até a publicação.
O que William Parreiras afirma
No vídeo divulgado após as eleições, Parreiras acusa João do Social de ter procurado lideranças que anteriormente apoiavam sua candidatura e de oferecer valores para que elas passassem a trabalhar para o candidato do Avante.
O ex-prefeito menciona pagamentos que, segundo ele, teriam ultrapassado R$ 100 mil em determinados casos e pede que o Ministério Público e a Justiça Eleitoral investiguem possíveis contratações realizadas durante o período eleitoral. Rádio Itatiaia
As declarações são acusações feitas por Parreiras e não significam que os fatos estejam comprovados.
Também não foi localizada, durante a pesquisa realizada pelo Conecta Curvelo, decisão judicial que reconheça compra de votos nos termos apresentados pelo ex-candidato.
Relatos também circulam em Curvelo
Uma publicação do Jornal Agora Curvelo acrescentou ao caso relatos envolvendo pessoas que teriam trabalhado na campanha de João do Social no município.
Segundo a publicação, mais de 120 pessoas teriam sido mobilizadas em Curvelo, incluindo moradores da zona rural, e haveria a alegação de que foi combinado pagamento de R$ 1.500 por pessoa.
O texto afirma ainda que, após a eleição, teria ocorrido divergência sobre os valores e que algumas pessoas teriam procurado um coordenador da campanha para cobrar os pagamentos.
Esses relatos, entretanto, exigem cautela. O Conecta Curvelo não encontrou, até o momento, documentos oficiais, boletim de ocorrência, procedimento do Ministério Público, processo na Justiça Eleitoral ou outra fonte independente que confirme as alegações específicas envolvendo Curvelo.
Por esse motivo, informações como o suposto número de trabalhadores, os valores prometidos e a existência de eventual protesto devem ser tratadas como relatos ainda não comprovados, e não como fatos estabelecidos.
Prestação de contas registra gastos com mobilização
Dados de prestação de contas eleitoral enviados à Justiça Eleitoral mostram que a campanha de João do Social declarou recursos e despesas em diferentes categorias.
Dados extraídos do sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontavam aproximadamente R$ 775,6 mil em receitas declaradas e cerca de R$ 677 mil em despesas contratadas em atualização disponível após a eleição. Entre as categorias registradas estava “militância e mobilização de rua”, com aproximadamente R$ 168 mil em despesas contratadas. 72Horas
A existência dessas despesas na prestação de contas, por si só, não comprova qualquer irregularidade. Contratar pessoal para militância e mobilização eleitoral é uma modalidade prevista na legislação, desde que os gastos sejam declarados, documentados e respeitem as normas eleitorais.
Também não é possível, apenas a partir dos dados gerais disponíveis, afirmar que os valores registrados nessa categoria tenham relação com os relatos surgidos em Curvelo.
João do Social foi eleito com 69 mil votos
João Vitor Kallel dos Santos Dias, que utilizou o nome João do Social nas urnas, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais pelo Avante.
Ele recebeu 69.333 votos em Minas Gerais, correspondentes a aproximadamente 0,61% dos votos válidos para deputado estadual, e foi eleito pelo sistema proporcional. Hub Político
O candidato teve votação distribuída por centenas de municípios mineiros. Segundo dados eleitorais compilados a partir dos arquivos do TSE, João do Social recebeu votos em 488 dos 853 municípios de Minas Gerais. Hub Político
Há registro de outro procedimento eleitoral, mas sobre assunto diferente
A pesquisa também localizou um procedimento na Justiça Eleitoral envolvendo João do Social durante a campanha, relacionado a uma notícia de possível irregularidade em propaganda eleitoral em Brumadinho.
O caso dizia respeito à instalação de material que teria características de outdoor e não corresponde às acusações de compra de votos apresentadas por William Parreiras. Portanto, são assuntos distintos e não devem ser confundidos. Jusbrasil
O que pode acontecer a partir das acusações
Acusações feitas publicamente não resultam automaticamente em investigação, cassação ou perda de mandato.
Para que haja responsabilização, é necessário que os fatos sejam levados aos órgãos competentes e analisados dentro de procedimentos formais, com apresentação de provas e direito de defesa.
A legislação eleitoral prevê punições para compra de votos e outras práticas ilícitas, mas a aplicação de qualquer sanção depende da comprovação dos fatos pela Justiça Eleitoral.
Até esta quinta-feira (8), não foi localizada decisão que reconheça as acusações apresentadas por William Parreiras nem confirmação oficial dos relatos específicos envolvendo trabalhadores de campanha em Curvelo.
O espaço permanece aberto para manifestação de João do Social, de sua campanha, das pessoas citadas nos relatos e dos órgãos responsáveis pela fiscalização eleitoral.
Fonte:
Rádio Itatiaia; Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dados do DivulgaCandContas; Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG); publicação do Jornal Agora Curvelo; Metrópoles; Radar do Voto.
